Deus e os Orixás (Ọlọ́run àti àwọn Òrìṣà)

Introdução

Muitas fontes tentam explicar a origem da palavra Orixá (Òrìṣà), mas nenhuma é tida como a verdadeira. A única certeza é que a palavra tem o sinônimo de Divindade. Outros nomes que os Orixás são chamados, porém com pouca frequência, é Irumalé (Irúnmalẹ̀) ou Imalé (Imalẹ̀) e Ébóra (Ẹbọra), os quais vemos com muita frequência nos textos de Ifá.

Os Orixás são os intermediários entre Ólórun - Deus (Ọlọ́run) e os seres humanos.

Existem duas categorias de Orixás, os primordiais, criados por Ólórun (Ọlọ́run- Deus) e os divinizados, aqueles que realizaram grandes feitos, grandes reinados e os que tinham grande admiração do povo das suas regiões. Isso explica o fato de determinados Orixás serem cultuados em determinadas regiões da África e nem sequer serem conhecidos em outras.

Os Orixás primordiais foram criados para funções específicas a serem exercidas na Terra (Àiyé). Cada um deles está representado em determinado elemento da natureza. Orixá é natureza, sem a natureza não há Orixá. Logo, o que alguns membros dizem com relação ao povo do santo de destruir a natureza é a mais pura inverdade. Se cultuamos e veneramos os Orixás e os mesmos estão representados na natureza, poluindo a natureza estaríamos destruindo os Orixás. A frase a seguir explica com clareza o assunto: Kò sí ewé, kò sí Òrìṣà! (Não há folha, não há Orixá!).

Quando realizamos um Ébó (Ẹbọ - sacrifício ou oferenda) e a entregamos em algum lugar na natureza, após fazemos o ritual (Orò) esperamos algum tempo e depois a recolhemos, sempre que possível, não deixando quaisquer restos para impedir que a mesma estrague e animais se alimentem dela.

Embora a igreja Católica ignore o fato, o processo para oficializar os Santos da mesma igreja foram copiados da religião dos Yorùbás. Santos como São Pedro, São João e mais recentemente Irmã Dulce, foram beatificados por seus feitos na Terra (Àiyé), assim como os Orixás divinizados.

Não existe um número correto da quantidade de Orixás. Algumas fontes citam o número de 200, 400, 600 e etc. Após a chegada ao Brasil e a separação das diversas Nações, muitos Orixás foram se perdendo da memória dos escravos africanos e seu culto caindo no esquecimento. Orixás importantíssimos ainda são desconhecidos de muitos Zeladores de Santo (Bàbálórìṣà), Zeladoras de Santo (Ìyálórìṣà) e principalmente dos praticantes do Candomblé mais novos. Entre eles podemos citar Orí (Orí) - Divindade pessoal e única de cada ser humano. Olôkun (Olókun) - Divindade dos mares e oceanos, Ajê Xalugá (Ajé Ṣàlúgà) - Divindade do mar (águas rasas), Ayê (Àyè), essas duas últimas irmãs de Iemódjá (Yemọjá), Órãniãn (Ọ̀ránmíyàn) - pai de Xangô (Ṣàngó) e 1º Rei de Óyó (Ọ̀yọ́), Dada Ajaká (Dàda Àjàká) - 2º e 4º Rei de Óyó (Ọ̀yọ́) e Agandjú (Aganjú) - 5º Rei de Óyó (Ọ̀yọ́), ambos irmãos de Xangô, Ólósa (Ọlọ́sà) - Divindade das lagoas, Erinlé (Erinlẹ̀), Ótin (Ọ̀tìn) e Óréluerê (Ọrẹ̀lúéré) - Divindades caçadoras, Okô (Okò) - Divindade da agricultura, Orô (Orò) - Divindade da floresta, Okê (Òkè) - Divindade das montanhas, Odudúwa (Odùdúwà) - Divindade fundadora de Óyó (Ọ̀yọ́), Órunmilá (Ọ̀rúnmìlà) - Divindade das consultas divinatórias, Iá Mi Oxorongá (Ìyá Mi Oṣorongà) - Divindades que são a síntese do poder feminino, Ayelálá (Àyèlálá) - Divindade da justiça e dos bons costumes, Onilê (Onílé) - Divindade que representa a base de toda a vida, a Terra Mãe, tanto na vida como na morte e Adjalá (Ajalá) - Divindade responsável pela modelação das Orí Inú (cabeças internas) do ser humano.

No Brasil ainda encontramos casas de Candomblé que cultuam Orixás desconhecidos por muitos. Outros foram incorporados ao culto de outros mais conhecidos:

- Óranmiyan (Ọ̀ránmíyàn), Dada Adjaká (Dàda Àjàká), Agandjú (Aganjú) e Airá (Ayrà) incorporados ao culto a Xangô (Ṣàngó).

- Olôkun (Olókun), Adjê Xalúga (Ajé Ṣàlúgà) e Ayê (Àyè) incorporados ao culto a Iemódjá (Yemọjá).

- Ótin (Ọ̀tìn) incorporada ao culto de Óxóssi (Ọ̀ṣọ́ọsì). Divindade feminina também da caça, da família dos caçadores (Ọdẹ).

Cabe a nós Candomblecistas, enquanto há tempo, resgatar o culto a esses Orixás, porque corremos o risco de no futuro perder o de outros.

Cada ser humano possui um Orixá individual e único que é Orí. Orí não reside nunca em duas cabeças. Ele é o Orixá mais importante, tanto é que nenhum outro Orixá nos abençoa sem o consentimento de Orí. Não podemos confndir Orixá Orí com a cabeça física ou externa (Orí Òde) e a cabeça espiritual ou interna (Orí Inú). Orixá Orí reside em nossa cabeça interna ou espiritual.

Em nossa cabeça interna ou espiritual também reside o "Orixá de Cabeça" ou "Orixá de frente", depois de passamos pela iniciação no Candomblé. Muitos usam o termo "meu Orixá", mas na realidade nós é que somos dele. Utilizam-se dessa forma de se expressar por força do hábito. Para sabermos o nosso Orixá de Cabeça somente é possível através dos jogos divinatórios.

É importante salientar que as características dos Orixás podem ser mais acentuadas em algumas pessoas e menos em outras, mas isso não diminue ou aumenta a presença do Orixá em suas vidas. Quase que na maioria dos casos, após a iniciação essas qualidades se tornam mais visíveis e sentidas.

Mais importante ainda é salientar que Orixá não possui qualidade, tipo ou qualquer coisa parecida. O que Orixá possui são caminhos, que nada mais são do que passagens em determinado momento da sua vida.

Voltar ao Topo


Deus (Ọlọ́run)

O Ser Supremo tem como nome principal Ólórun (Ọlọ́run), porém, possui diversos outros nomes entre eles Olodumare (Olódùmarè), Élédá (Ẹlẹ́dá), Aláiê (Aláyè), Élémí (Ẹlẹ́mí), Ólójó (Ọlọ́jọ)́ e etc.

É único e sua autoridade é incontestável. A comunicação entre os seres humanos e Ólórun (Ọlọ́run) é impossível de ser realizada e os pedidos e agradecimentos somente chegam a ele através dos Orixás. Ólórun (Ọlọ́run) é infinitamente superior aos seres humanos e aos Orixás. Portanto, quando queremos que algo seja ouvido por Ólórun (Ọlọ́run), sempre devenos nos dirigir aos Orixás, principalmente a Exú (Èṣù), pela sua agilidade e rapidez e pelo fato dele ser o Orixá da comunicação.
Ólórun (Ọlọ́run) é rei, juiz, senhor e criador da vida. Ólórun (Ọlọ́run) está presente em tudo o que os olhos humanos alcançam. Ele é o ar, o fogo, a água, a natureza em geral e os animais. Ólórun (Ọlọ́run) é tudo.

Ólórun (Ọlọ́run) concedeu aos Orixás atributos e poderes limitados e estabelecidos por ele.

Voltar ao Topo


Exú (Èṣù)

Exú é o Orixá da comunicação e da sexualidade. Ao contrário do que muitos dizem, Exú não representa o mal. Seus filhos normalmente saem ilesos das confusões. É um dos Orixás mais respeitados e poderosos. Exú tem o poder de fazer o certo virar errado e o errado virar certo. Ele está sempre em todos os lugares. Exú é quem toma conta das portas das casas e das construções em geral. É o dono dos mercados e feiras. É o dono da encruzilhada. É sempre o primeiro a ser saudado ao entrarmos e sairmos. É sempre o primeiro a comer. Exú é o decano dos Orixás, título esse dado por Ólórun (Ọlọ́run), bem como a ordem de que ele sempre seria o primeiro.

Quem agrada e respeita Exú sempre terá a sua proteção e tendo a sua proteção jamais passará por apuros.

Exú Laroiê! Mo djubá! (Èṣù Láròyé! Mo júbà!) - Exú (Alguém bem falante, título de Exú)!Eu o respeito!

Arquétipo dos Filhos de Exú

Os filhos de Exú tem caráter variável, são compreensivos, conselheiros, fazem as coisas como querem (certo ou errado), incansáveis, intrigantes, desordeiros, animados, alegres, brincalhões, ciumentos, interesseiros, vingativos, falantes, gostam da rua, gostam de festas, gostam de confusões e de resolver confusões que surgem mesmo que não tenha nada a ver com eles.


Ogún (Ògún)

Exú

Ogúm é o Orixá da tecnologia, caminhos e estradas, do ferro e de todos os objetos que utilizam esse material, da guerra e das batalhas. Ogúm, bem como os seus filhos, primeiro age para depois pensar e ou investigar. Orixá forte, viril e incansável. "Dono" do Mariuô (Marìwò), as folhas novas do Igi Ópé (Igi Ọ̀pẹ) - Palmeira do Dendezeiro, que são usadas nas portas das casas para a proteção das mesmas.

Os filhos de Ogúm quase que sempre não deixam de alcançar a vitória em causas da sua vida.

Pata ki orí Ogúm! Ogúm iê! (Pata kì orí Ògún! Ògún yé!) - Não devore minha cabeça Ogún! Ogún sobrevive!

Arquétipo dos Filhos de Ogúm

Dependendo do caminho de Ogúm, seus filhos são pessoas violentas, briguentas, impulsivas, não perdoam ofensa, impetuosos, arrogantes e perseverantes. Não desistem fácil do seu objetivo. Em outros caminhos de Ogúm, são pessoas mais calmas e ligadas a tecnologia ou a indústria.

Voltar ao Topo


Óxóssi (Ọ̀ṣọ́ọsì)

Exú

Óxóssi é um Orixá da família dos caçadores (ọdẹ - ódé). Orixá da fartura e da agricultura, arte essa que aprendeu com seu irmão Ogúm. Por ser um grande desbravador, conhece bem o solo e sabe onde é o melhor lugar para o plantio e ou uma costrução, por isso é considerado o "dono" do chão de qualquer roça de Candomblé, sendo considerado também, não importando quem é o Orixá principal de qualquer roça, o segundo chefe.

Os filhos de Óxóssi nunca passam necessidade de alimentos, assim como sua família.

Okê arô! Àrôlê! (Òkè àró! Àrólé!) - Alta autoridade! O sucessor do chefe da casa!

Arquétipo dos Filhos de Óxóssi

Os filhos de Óxóssi são pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento, com iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. São muito responsáveis principalmente se tratando de família. São generosas, hospitaleiras e organizados. Gostam muito mudar de residência, de serviço e de projetos.

Voltar ao Topo


Óssãin (Ọ̀sányìn)

Exú

Óssãin é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. A sua importância é fundamental, pois nada no Candomblé é realizado sem as folhas e Ossãin é o detentor do segredo de todas elas. Isso é dito em um provérbio Yorùbá:

Kò sí ewé, kò sí Òrìṣà! (Não há folha, não há Orixá!)

Os filhos de Ossãin sempre tem o conhecimento de uma folha para determinado fim, seja para chá ou banho, para proteção, cura ou prosperidade.

Euê o! Euê assa! (Ewé o! Ewé asà!) - A folha! A folha protege!

Arquétipo dos Filhos de Óssãin

Os filhos de Óssãin são pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Possuem extraordinária reserva de energia e resistência. Quase que a maioria dos seus filhos possuem, como não poderia deixar de ser, grande conhecimento das folhas e seus poderes medicinais. Grande tendência a serem médicos.

Voltar ao Topo


Ómólu (Ọmọlu)

Exú

Ómólu é o Orixá das grandes pestes e doenças. Tem o poder de dizimar com um povoado ou nação com alguma doença. Porém, também tem o poder de curar. Por isso é um dos Orixás mais temidos e respeitados. Alguns dizem que não se pede saúde a Ómólu devido a este Orixá não possuir saúde, fato esse que discordo devido ao fato do mesmo ter o poder da cura e a cura é o retorno da saúde. Muitos dizem que o nome de Ómólu é Óbaluaiê (Ọbalúàiyé), porém, esté é um título de Ómólu que significa rei e senhor da terra.

Quem é filho de Ómólu ou tem um amigo filho Dele e confessa alguma enfermidade é difícil não achar o caminho da cura.

Atoto! A djú béru! (Atótóo! A jù bẹ̀rù!) - Silêncio! Nós estamos muito amedrontados! (em respeito a Ómólu)

Arquétipo dos Filhos de Ómólu

Os filhos de Ómólu tendem a ter doenças crônicas e marcas de doença no corpo como cicatrizes, feridas, erupções cutâneas e etc. São pessoas alegres, sorridentes e amigas.

Voltar ao Topo


Oxumarê (Òṣùmàrè)

Exú

Oxumarê é o Orixá que a representa a serpente e o arco-íris. Dizem ser um dos Orixás mais ricos e belos fisicamente. É o responsável em recolher a água caída da chuva e levá-la de volta às nuvens para que caiam novamente em forma de chuva, fazendo assim um ciclo constante. É o Orixá do movimento, da mudança, da continuidade e da permanência.

Quem é filho de Oxumarê tem forte tendência a sucesso em sua vida financeira.

Arru bô bô! (Ahù bo bo!) - Aquele que sai do chão e se esconde! (uma alusão ao arco-iris)

Arquétipo dos Filhos de Oxumarê

Os filhos de Oxumarê são pessoas que desejam ser ricas. Mudam constantemente de aparência, arrumação da casa, de endereço, de emprego e etc. São bonitos fisicamente.

 

Voltar ao Topo


Nãnã (Nàná)

Exú

Nãnã é um dos Orixás mais antigos. É uma divindade das águas paradas dos lagos e lamacentas dos pântanos. Fato esse que rendeu o título de pantaneira. Do barro das águas de Nãnã foi feito o homem. É mãe de Ómólu e Oxumarê. Conhecida com o nome completo de Nãnã Buruku (Nàná Buruku), porém esse nome é como os Jeje a conhecem, pois Buruku em Yorùbá significa "mau ou sórdido" e não é o caso se tratando desse Orixá. Esse fato é explicado no fato de que ela é cultuada como Orixá e Vodun, devido até a antiguidade desse Orixá. Nãnã não roda na cabeça de homem devido ao fato da mesma ter uma adversidade com o homens.

As filhas de Nãnã tem um grande senso de responsabilidade e maturidade.

Salu ba Nãnã! (Sálù bá Nàná!) - Intervenha e ajude Nãnã!)

Arquétipo das Filhas de Nãnã

As filhas de Nãnã são pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. São pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos. Gostam das crianças, de educá-las. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça. Aparentam ter mais idade do que tem, podem ser rabugentas e não confiar muito em homens, o que dificulta seus relacionamentos amorosos. Nãnã não roda na cabeça de homens.

Voltar ao Topo


Óxun (Ọ̀ṣùn)

Exú

Óxun é o Orixá da beleza, amor, da fertilidade e das águas doces, mais propriamente das águas do rios, embora muitos dizem ser das águas das cachoeiras, tanto que na Nigéria existe um rio que leva o seu nome. Foi iniciada pelas Iá Mi Oxorongá (Ìyá Mi Oṣorongà), nossas mães ancestrais, com quem aprendeu todo tipo de feitiçaria, fato esse que rendeu-lhe a fama de ser o Orixá mais poderoso se tratando de feitiços e também ser a dona do Jogo de Búzios. Muitos dizem que Óxun gosta de ouro, mas na realidade elas gosta de tudo que é precioso. Oxum é chamada de Iiálodê (Ìyálóde) título conferido à mulher que ocupa o lugar mais importante
entre todas as mulheres da sociedade.

Os filhos de Óxun são belos, encantadores, elegantes e graciosos, adjetivos esses que não as deixam passar dificuldades amorosas em momento algum.

Ore iêiê ô! (Oore yèyé o!) - Mãezinha Bondosa!

Arquétipo das Filhas de Óxun

Os filhos de Óxun são belos, elegantes, charmosos e apaixonados por jóias, perfumes e vestimentas caras. Em alguns casos são vingativos e tem dificuldade em perdoar. Sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de
ascensão social.

Voltar ao Topo


Logun Édé (Lógun Ẹ̀dẹ)

Exú

Logun Édé é o Orixá da beleza, da fartura e da caça. Embora muitos dizem ser filho de Óxun Karê (Karé) e Óxóssi, na realidade teria sido filho de Óxun Ìpondá e Erinlé (Erinlẹ̀). A beleza e a arte da caça teriam sido herdados de seus pais, com os quais vivia seis meses com cada um. Desse fato surge a grande mentira de que ele seria seis meses mulher e seis meses homem, devido aos seis meses que passava com Erinlé viver como caçador, rusticamente, e os seis meses que vivia com Óxun ser embelezado e tratado como uma mulher. O fato de ter herdado as qualidades dos seus pais, o tornou um Orixá que não tinha problemas amorosos e financeiros.Logun Édé, Orixá novo que velho respeita!

Os filhos de Logun Édé são belos e quando querem fazem brotar "dinheiro do chão".

Logun o! Akófá! (Lógun o! Àkọfá!) - Lógun! Flecha autêntica!

Arquétipo dos Filhos de Logun Édé

Os filhos de Logun Édé são belos, elegantes, charmosos e responsáveis. Não gostam de se fixar em algo ou alguém por muito tempo, gostam de trocar de parceiros, serviço, projetos e até mesmo de residência com frequência. Quando fazem um projeto ou empreendimento sempre obtem sucesso. Em alguns casos tem tendência ao homossexualismo e ao bissexualismo.

Voltar ao Topo


Óyá (Ọyá)

Exú

Óyá é o Orixá dos ventos, das tempestades, da sensualidade e das águas doces, mais propriamente das águas dos rios. É um Orixá guerreiro. Óyá é quem leva as pessoas que falecem da Terra (Àyié) ao Céu (Ọ̀run) por possuir o domínio sob os Égún, fato esse que lhe rendeu o título de Iánsan (Ìyámsàán), que e a contração de Iyá méssan órun! (Eèpàà ré Ìyá mẹ́sàán ọ̀run!) Mãe dos nove céus!

Os filhos de Óyá vão a luta quando tem um objetivo e é impossível não notar a sua sensualidade.

Epa rê Iyá méssan órun! (Eèpàà he Ìyá mẹ́sàán ọ̀run!) - (Exclamação de surpresa) Apanhe Mãe dos nove céus! (Referindo-se a apanhar os Égúns).

Arquétipo dos Filhos de Óyá

Os filhos de Óyá são audaciosos, poderosos, autoritários, sensuais voluptosos. São leais e fiéis, porém, se contrariados em seus projetos e empreendimentos mudam de comportamento. Seus adjetivos sensual e voluptuoso pode leva-los a aventuras amorosas extraconjugais.

Voltar ao Topo


Óbá (Ọbà)

Exú

Óbá é um Orixá das águas doces, mais propriamente das águas dos rios. Orixá guerreiro, fisicamente mais forte que muitos homens. Foi uma das mulheres de Xangô. Óbá cortou a própria orelha a conselho e enganação de Óxun e a colocou na comida de Xangô, fato esse que rendeu-lhe o fim de seu relacionamento com ele. Em um toque de Candomblé, quando rodam Óbá e Óxun em um mesmo instante, devem separá-las imediatamente devido a grande rivalidade.

Os filhos de Óbá não temem a luta, mesmo que seja com o sexo oposto, e devido a sua força dificilmente saem derrotados.

Óbá xi rê! (Ọbà ṣì re!) - Óbá ainda é gentil!

Arquétipo dos Filhos de Óbá

Os filhos de Óbá tem dificuldade em relacionamentos amorosos. São pessoas valorosas, incompreendidas e ciumentas. Tem tendências viril o que as fazem voltar-se para o feminismo ativo. As suas atitudes militantes e agressivas são conseqüências de experiências infelizes ou amargas por elas vividas. Os insucessos amorosos devem-se ao seu ciúme, mas esses insucessos são compensados pelo sucesso material.

Voltar ao Topo


Ieuá (Ìyéwá)

Exú

Ieuá é um Orixá das águas doces, mais propriamente das águas dos rios, possuidor de uma beleza exótica. Dizem que Ieuá foi virgem a vida toda, o que lhe rendeu o título de protetora de tudo o que é virgem, inexplorado, inclusive das oças virgens. Uma grande mentira diz que Ieuá só roda na cabeça de mulheres virgens. É também uma guerreira valente e habilidosa.

Os filhos de Ieuá chamam a atenção onde quer que estejam.

Ri rô Iêuá! (Rì ro Ìyéwá!) - Iêuá cobriu-se de água e vazou!

Arquétipo dos Filhos de Ieuá

Os filhos de Ieuá diferenciam-se por sua beleza exótica. Grande tendência a duplicidade, por vezes são simpáticas e em outras ocasiões arrogantes, as vezes aparentam ser meninas e em outras bem mais velhas. Adoram elogios e atenção. Agem de acordo com o ambiente em que estão, podem ser finas ou populares. Possuem uma certa dificuldade em se concentrar.

 

Voltar ao Topo


Iemódjá (Yemọjá)

Exú

Iemódjá um Orixá das águas doces, mais propriamente das águas dos rios, embora a tenham também como um Orixá do mar, mas propriamente da beira do mar. Esse fato da-se devido a todas as águas terminarem no mar. É considerada a mãe de todas as orí (cabeças), ou seja, considerada a mãe de todos os seres humanos. Foi Iemódjá quem criou Ómólu e o curu de suas feridas.

Os filhos de Iemójá jamais ficam desamparados pela Grande Mãe.

Odô iá! Erú iá! (Odò ìyá! Èérú ìyá!) - Mãe do rio! Mãe da espuma! (das ondas do mar)

Arquétipo dos Filhos de Iemódjá

Os filhos de Iemódjá são fortes, rigorosos, protetores, altivos, algumas vezes impetuosos e arrogantes, maternais, bons cuidadores da casa, gostam de respeito, são justos, gostam de educar, voluntariosos e generosos. Não perdoam facilmente quando ofendidos. São possessivas e ciumentos. Não conseguem guardar segredo. Tendem à obesidade e ou uma certa desarmonia no corpo. As mulheres, por exemplo, tendem a ficar com os seios caídos. Mesmo sem saber de algo, dizem que sabem sempre de tudo.

Voltar ao Topo


Xangô (Ṣàngó)

Exú

Xangô e sua família são os únicos Orixás considerados rei. Foi o 3º Rei de Óyó (Ọ̀yọ́). É o Orixá dos raois e trovões. Muitos dizem erradamente que ele é o Orixá da justiça, isso se deve ao fato do sincretismo religioso com São Jerônimo. Xangô fazia somente a justiça que lhe convinha. Também dizem que ele é o Orixá que detinha o segredo do fogo e devido a esse fato temos as "Fogueiras de Xangô", porém Ayrà quem lhe ensinou o segredo do fogo, porém, somente ensinou como fazer o fogo e não como apagá-lo.

Os filhos de Xangô chamam a atenção quando chegam em qualquer lugar.

Kauô ô! Kabiesi! (Káwò ó o! Kábíyèsí!) - Que possamos olhá-lo! (Saudação a um Rei)

Arquétipo dos Filhos de Xangô

Os filhos de Xangô seguem a sua própria vontade, são teimosos, enérgicos, altivos e mesmo que no seu subconciente sabem da sua importância real ou suposta. Não aceitam ser contrariados, e se o são, podem ser violentos. Fazem de tudo para conquistar uma pessoa e raramente não conseguem. As mulheres filhas possuem uma grande dificuldade de relacionamento amoroso com o sexo oposto. Os filhos homens são namoradores, românticos, galanteadores e dificilmente conseguem ter uma única mulher ou ficar com a mesma por um longo tempo. São falantes, inteligentes e possuem um grande sentido de justiça, embora algumas vezes esse sentido não os levem a real justiça, a fim de beneficiar-se. Gostam de comer e ber bem. Recebem as pessoas na sua casa sempre bem e com fartura de comida e bebida. Possuem tendência a obesidade.

Voltar ao Topo


Airá (Ayrà)

Exú

Airá é o Orixá do fogo. Esse título erradamente é dado a Xangô, mas Airá foi quem lhe ensinou o segredo, porém, somente de como fazer o fogo e não como apagá-lo. Airá não é um caminho de Xangô e sim um Orixá independente, em um provérbio Yòrúbá isso é comprovado: Xangô é um! Airá é outro! (Ṣàngó ni kan! Ayrá ni míràn!). Outra prova é que Xangô come dendê e Ayrà azeite doce. É Filho de Oxalúfãn (Òṣàlúfọ́n), de quem herdou a característica de ser um Orixá funfun (que se veste de branco) e é ele quem carrega Oxalá nas costas em determinados rituais.

Os filhos de Airá dificilmente tomam uma decisão errada.

Airá díde paná o! (Ayrà dìde paná o!) - Airá faz surgir e apaga o fogo!

Arquétipo dos Filhos de Airá

Os filhos de Airá normalmente gostam de ouvir opiniões antes de tomar qualquer decisão, embora muitas vezes não aceite essas opiniões. São inteligentes e falam algo somente quando tem certeza. São falantes e embora não gostem de chamar a atenção não passam desapercebidos no lugar onde estão. Não gostam de coisas erradas a ponto de se tornarem chatos. Sabem se fingir de ingênuos, pouco inteigentes e outras qualidades que não possuem, ou seja, sabem ser "bons atores", na maioria dos casos para conseguir ago. Raramente andam sozinhos.

Voltar ao Topo


Irôko (Ìrókò)

Exú

Irôko é um Orixá muito antigo. Iroko foi a primeira árvore plantada na terra. Ele quem domina o tempo. É representado pela árvore iroko na África e no Brasil pela Gameleira Branca, porém, como ele é o dono de todas as árvores pode ser representado por qualquer uma na ausência dessas. Iroko representa a ancestralidade, os nossos antepassados e a natureza, a morada dos Orixás.

Os filhos de Irôko tem a real importância do tempo.

Iroko i sô! (Ìrókò i só!) - Iroko amarrará!

Arquétipo dos Filhos de Irôko

Os filhos de

Os filhos de Iroko falam se expressam com desenvoltura, são ciumentos, camaradas, teimosos e generosos, gostam de se divertir e comer e beber bem. São muito amigos mas também podem ser inimigos terríveis.

Voltar ao Topo


Ibêdji (Ibéjì)

Exú

Ibêji é o Orixá que representa as crianças. Na realidade, podemos dizer os Orixás, pois são dois irmãos gêmeos idênticos. Seus nomes: Taiuô (Táíwò), o primeiro a nascer e Kérrindê (Kẹ́hìndé), o segundo. Popularmente conhecido como Eres (Eré) - jogo, brincadeira. É um Orixás rápido para atender os pedidos, só perdem para Exú. Ibêji não roda na orí (orí) cabeça das pessoas. Esses são representados pelas crianças que rodam. É único Orixá permanentemente duplo. É formado por duas Divindades distintas e sua função básica é indicar a contradição, os opostos que coexistem e tem ligação com os Àbíkú, motivos esses que explicam a não iniciação de filhos para esse Orixá, porém, alguns Zeladores e Zeladoras o fazem e outros, quando filhos de Ibêdji, sao iniciados a Óyá. A ele é associado a tudo o que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano ou ìyáwó.

Os filhos de Ibêdji sempre estão sorrindo e de bem com a vida.

Erê mi! (Eré mi!) - Brinque comigo!

Arquétipo dos Filhos de Ibêdji

Os filhos de Ibêdji possuem temperamento infantil, brincalhão, são sorridentes, irrequietos e de muita energia.  São muito cativantes e carinhosos, pussuem grande sensibilidade, magoam-se com facilidade, exageram as contrariedades e agressões que recebem.

Voltar ao Topo


Oxaguiãn (Òṣàgiyàn)

Exú

Oxaguiãn é um Orixá jovem e guerreiro valente. Filho de Oxalá e irmão de Ayrà. Erradamente chamado de "Oxalá Novo". É um Orixá independente e funfun. Seu nome era Elêjìbô (Eléjìgbò), Rei de Êjibô por tornar-se rei de Êjibô (Ejìgbò). Elêjìbô (Oxaguiãn) era apaixonado por inhame (ixu) (iṣu). Comia todos os dias, a toda hora. Bastava sentir fome que comia inhame. Então inventou o pilão (odó) (odô) para fazer inhame pilado (íiãn) (íyán). Dai surgiu o seu nome Oxaguiãn (Òṣàgiyàn), contração das palavras Òrìṣà ga íyán - Orixá que exalta o inhame.

Os filhos de Oxaguiã conseguem o que querem devido a sua luta.

Eèpàà Bàbá! (Eepaa Bàbá!) - (Exclamação de surpresa) Pai!

Arquétipo dos Filhos de Oxaguiãn

Os filhos de Oxaguiã são líderes, valentes, guerreiros, ciumentos, valentes, combativos, geniosos e teimosos. Uns podem ser amigos das intrigas, orgulhosos, acham que são os melhores , gostam de falar. Outros poder ser caseiros, apegados a família e, gostam de guardar segredos. Mas todos são teimosos. Dizem que esses dois caminhos de Oxaguiãn se caracterizam por carregar a espada e o escudo ou a mão de pilão.

Voltar ao Topo


Oxalá (Òṣàálá)

Exú

Oxalá é considerado o pai de todos as orí. Orixá funfun, tido como o Rei do pano branco. O nome Oxalá (Òṣàálá) vem da contração das palavras Orixá nlá (Òrìṣà nlá) - Grande Orixá. É conhecido também por Oxalúfãn e Óbatálá (Òṣàlúfọ́n e Ọbàtálá). Orixá sábio, muito respeitado, da paz, paciente, humilde e inteligente. Em uma das versões, foi o Orixá encarregado por Ólórun (Ọlọ́run) de criar a Àiyé (Terra). Algumas fontes dizem que o fato de andar curvado seria pela idade, outros que foi uma trama de Exú, que o deixou curvado.

Os filhos de Oxalá jamais ficam desamparados pelo Grande Pai.

Eèpàà Bàbá! (Eepaa Bàbá!) - (Exclamação de surpresa) Pai!

Arquétipo dos Filhos de Oxalá

Os filhos de Oxalá são calmos, dignos de confiança, respeitáveis e reservados, dotadas de grande força de vontade. De modo algum modificam seus planos e seus projetos, mesmo diante de opiniões contrárias e racionais, que os alertam para os possíveis insucessos, porém, aceitam sem reclamar os resultados indesejados.

Voltar ao Topo