Ilé Àṣẹ Aládéí

Jogos Divinatórios

Introdução

A história de se cobrar pelas consultas divinatórias é tida como errada por muitos não conhecedores da nossa religião, porém, além de fazer parte da nossa história, há séculos atrás tornou-se uma forma de sustento para as escravas libertas.

"Na abolição da escravidão, o povo africano ficou sem nenhuma forma de sustento. Sem terra, sem casa e sem emprego não tinham como sustentar-se a si e aos seus familiares, quando tinham. Alguns ex escravos conseguiam emprego nas fazendas para ganhar pouco e trabalhar muito, a escravidão mascarada.

Em certa ocasião, um rico fazendeiro estava perdendo toda a sua plantação. Comentou o fato com um fazendeiro vizinho e o mesmo lhe disse que um empregado seu havia lhe indicado uma ex escrava afriana que realizava consultas através dos búzios e a mesma havia realizado procedimentos que haviam melhorado a sua vida em todos os sentidos. A mulher não lhe cobrara um tostão sequer.

Esse fazendeiro foi ao encontro da mulher e esta lhe salvou a plantação. Após esse veio outro, e outros mais.

A mulher pensou então: "Porque não cobrar essas consultas e os Ébó - oferendas, limpezas e etc (Ẹbọ)? Se os brancos lhes haviam escravizados e depois os deixados ao vento porque não tentar pelo menos o sustento delas e da sua família?"

Pois assim foi. Consultados os Orixás, a permissão para a acobrança das consultas foi dada. E assim permanece até os dias de hoje.

Tipos de jogos divinatórios

Jogos divinatórios são tidos como toda e qualquer consulta aos Orixás através de Ópélé Ifá (Ọ̀pẹ̀lẹ̀ Ifá) - dois fios abertos com oito sementes cada intercaladas, Mérindilogun (Mẹ́rindílógún) - consulta realizada através de 16 búzios, Ikin (Ikin) - Coquinhos do Dendezeiro, Obí (Obì) ou até mesmo em alguns casos a cebola - alubósa (àlùbọ́sà).

São utilizados para diversos tipos de consultas e respostas a perguntas do consulente.

Muito importante saber que o uso do Ópélé Ifá é restrito aos Babálauôs e Iiánifás e o Mérindilogun aos Babálorixás e Iiálorixas. Ogãn e Ekedji não fazem uso dos mesmos. É claro que cada Zelador ou Zeladora fazem nas suas casas o que acham que é correto, porém, dando permissão a Ogãn e Ekedji por exemplo para uso dessas práticas estarão indo ao encontro do desrespeito aos nossa ancestralidade e nosso história. Em casos de necessidade e raros, o Bàbálaxé ou Iiálaxé poderão realizar as consultas.