Ilé Àṣẹ Aládéí

Bons Costumes (Ìwàrere)

Introdução

Os bons costumes e boas maneiras dentro de uma casa de Candomblé é uma das coisas mais importantes dentro da religião, herdada dos nossos ancestrais. Zeladores, Zeladoras e os filhos devem sempre ter em mente a boa educação, o sentido de respeito a Deus, aos Orixás, aos mais velhos e aos de maior grau hierárquico.

É altamente importante que todos tenham em mente que não basta saber o que é certo e sim colocar em prática.

Algumas atitudes e observações

Na chegada a nossa casa de Candomblé devemos sempre tomar banho normal ou de ervas (se determinado pelo Zelador ou Zeladora). Podemos na nossa chegada a roça e no nosso trajeto ao banho cumprimentar todos os presentes com um simples bom dia ou um gesto de cabeça ou mão. Nunca devemos pedir ou trocar bençãos antes desse banho. Se estivermos somente de passagem, devemos “esfriar o corpo” descansando por cerca de 10 minutos.

O cumprimento aos presentes após o banho deve seguir a seguinte ordem e forma, para os que estão presentes na casa (desde que estejam todos presentes e se não o tiverem, pular para o grau abaixo):

- Zeladores e Zeladoras: bater cabeça - Dóbalê (Dọ̀bálè) e pedir a benção. Esse ato somente é feito ao seu Pai ou sua Mãe.

- Pedir a benção do Pai Pequeno e ou Mãe Pequena da casa.

- Pedir a benção ao seu Pai Pequeno e Mãe Pequena.

- Pedir a Benção aos Avós.

- Pedir a Benção aos Zeladores e Zeladoras de outras casas.

- Pedir a benção aos Ogãns e Ekedjis. Atentar que isso deve ser feito mesmo para os suspensos.

- Trocar bênçãos com os irmãos mais velhos de Santo.

- Trocar bênçãos com os de mesmo nível hierárquico.

O pedido de benção sempre parte do mais novo para o mais velho de Santo e de quem não ter cargo para os que o tem.

O pedido, o recebimeno ou a troca de bençãos é um momento mágico dentro do Candomblé e não deve ser encarado como uma forma de diminuição por parte dos mais novos ou dos que não tem cargo. Quando pedimos a benção, estamos pedindo a benção ao Orixá e cargo daquela pessoa e quando rebemos essa benção ela serve para nos fortalecer.

Possuindo cargo equivalente (Ogãn x Ogãn - Ogãn x Ekedji – Ekedji – Ogãn), Iiauô ou Abiãn, existe sempre a “Troca de benção”.

Exemplo:

Ogã 1: “A benção!”

Ogã 2: “Meu Pai abençoe! A benção!”

Ogã 1: ”Meu Pai abençoe!”

Algumas pessoas, muitas vezes nem mesmo participantes de uma casa de Candomblé, costumam praticar atos que merecem ser ressaltados por se tratar de puro erro:

- Quando dirigirmos a palavra a um Zelador ou Zeladora, ou até mesmo a possuidores de cargo, devemos pedir “Agô“ - licença (Àgò). A resposta de consentimento é “Agô iá!“ (Àgò yà!). Se a resposta for negativa simplesmente será "Béékó!" - Não! (Bẹ́ẹ̀kọ́!) ou "Agô kô sí!" - Licença não concedida (Àgò kò sí!). Se não soubermos falar pelo menos um pouco em Yorùbá, simplesmente fale em português, mas sempre com educação e respeito.

- O correto quando conversamos com um Zelador ou Zeladora é sempre estar em uma altura inferior a deles.  Ex: Se o Zelador estiver sentado, devemos estar de joelhos, cócoras ou sentado. Se ele estiver em pé, sempre de cabeça baixa.

- O primeiro a ser servido ou a se servir nas refeições é o Zelador ou Zeladora, depois as crianças, em dias de toques o Ógãnilú e os Alábês e segue-se a sequência hierárquica.

- Nunca devemos sentar a mesma mesa do Zelador ou Zeladora, a menos que este nos convide.

- Em hipótese alguma devemos dar objetos pontiagudos (faca, tesoura e etc) diretamente na mão de quem quer que seja. Se uma pessoa pede tal objeto, devemos colocá-lo em cima de uma mesa, cadeira, banco, chão ou coisa parecida.

- Não traga para a sua roça atitudes vistas em outras casas ou "invente".

- Vista sempre roupa branca quando estiver na roça por um tempo longo.

- Esteja sempre disposto a ajudar nos afazeres.

- Se tiver dúvidas, pergunte sempre a uma pessoa experiente, de preferência o Zelador ou Zeladora da sua roça. Muitas pessoas ensinam sem saber ensinar ou ensinam o errado. Nunca pesquise na internet ou livros de autores não confiáveis.

- Mesmo que os Zeladores, Zeladoras e outros não "façam questão" de determinados procedimentos, façam, pois é o correto e assim devemos proceder.

- Sempre pedir autorização do seu Zelador ou Zeladora para comparacer a outra Casa de Candomblé.

- É bem sabido que a autoridade máxima dentro de uma casa de Candomble é o Zelador ou a Zeladora. Tudo o que eles determinarem é “lei”, desde que não seja algo absurdo como temos conhecimento de alguns.

- Não critique determinadas atitudes ou atos realizados em outra casa. Mesmo que errado, para eles é certo.

- Seja educado, companheiro, irmão e solidário. Se você não estiver bem e mal humorado, fique em casa, não vá a roça a não ser que seja para pedir ajuda.

- Lembre-se: "Você pode enganar a tudo e a todos, inclusive o seu Zelador ou a sua Zeladora, mas jamais enganará a Ólórun, aos Orixás e a si mesmo!"