Ilé Àṣẹ Aládéí

O Candomblé

A Religião dos Orixás, Nkises, Voduns e outras Divindades

Algumas Divindades Representadas

As Divindades são denominadas como Orixás na Nação Kétu, Nkises na Nação Angola e Voduns na Nação Jeje. Para cada Divindade de cada Nação existe uma relação com a Divindade das outras, porém não existe a relação de algumas devido as mesmas não serem cultuadas em determinada Nação. Mesmo existindo uma relação entre as Divindades, os cultos são diferentes.

Veja nos quadros abaixo algumas dessas relações:

Deus Supremo

 
Nações
 
Kétu
Jeje
Angola
Ólórum
Mawu
Nzambi (Inzambi)

 

Algumas relações entre as Divindades

 
Nações
 
Kétu
Jeje
Angola
Exú
Elegbá
Bombogiro
Ogun
Gu
Nkosi (Inkosi)
Óxóssi
Otolú
Mutaka Lambo
Ómólu
Azanssun
Cavungo
Xangô
Sogbô
Nzazi (Inzazi) ou Luango
Óssain
Ague
Katende
Óxum
Aziri-Tolá
Dandalunda
Iemódjá
Aziri-Tobossi
Samba-Kalunga ou Kukuetu
Óyá
Guelede-Agan ou Vodun-Jó
Matamba ou Kaingo
Oxumarê
Becem (Becém)
Hongolo (Angorô)
Oxalá
Lissá
Lemba

 

Estas três nações são as mais conhecidas no Brasil, porém, várias outras existem. Com o passar dos anos, o "homem branco" foi aos poucos aniquilando parte da cultura africana e nesse processo várias nações cairam no esquecimento, bem como várias Divindades.

No Continente Africano não era praticado o Candomblé, e sim o Culto as Divindades, a Religião Tradicional Yorùbá.


O Surgimento do Candomblé

O Candomblé é a primeira religião brasileira. Como foi dito antes, embora o Candomblé tenha toda a sua raiz, história, costumes e toda a sua essência trazidas pelos escravos Africanos, não devemos confundi-la com os cultos as Divindades realizados no Continente Africano, pois existem algumas diferenças entre os dois.

Um dos Primeiros Candoblé

Não podemos afirmar com certeza qual e onde foi fundada a primeira casa de Candomblé, mas acredita-se que os primeiros Candomblé foram realizados logo após o início da escravidão no Brasil (1559) ou na fundação do Primeiro Quilombo dos Palmares (1610). Nessa ocasião, Zumbi acolheu escravos fugitivos de várias nações e consegiu uni-los por um só ideal, fato este que não existia no Continente Africano, pois as Nações viviam em conflito. Essa união de diversas pessoas de Nações diferentes nos Quilombos foi um dos fatores responsáveis pela mistura de idiomas, cultos, costumes, culinária e etc. nas casas de Candomblé do Brasil. Um exemplo disso é a palavra Èkéjì que é muito usada no Candomblé Kétu mas é de origem da nação Jeje. Ajòyè é a palavra correspondente na Nação Kétu.

A primeira casa de Candomblé Kétu do Brasil foi fundada em Salvador - BA, a primeira casa de Candomblé Jeje foi fundada em Cachoeira de São Félix - BA e a primeira casa de Candomblé Angola foi fundada em Salvador-BA e é considerada como a mais antiga.

Oficialmente, a fundação da primeira casa de Candomblé do Brasil é datada do ano de 1850, data da extinção do tráfico de escravos no Brasil.

Embora poucas pessoas saibam, a palavra Candomblé possui uma tradução. Sua origem é do idioma Yorùbá:

Um dos Primeiros Candoblé

Kàn = Tocar (tirar som de instrumentos musicais)

Dún = Soar (Emitir a voz, exprimir-se por canto ou pela fala)

Bẹ̀ (Bé) = Pedir, rogar, suplicar

Logo, a pronúncia correta seria Candunbé, mais uma palavra com a sua pronúncia correta perdida ao longo da história devido a tradição oral. Candumbé (Kàndínbẹ) significa no seu conjunto: tocar, cantar e suplicar as Divindades dias melhores, liberdade, saúde, prosperidade e etc, acompanhado de danças, cantos e instrumentos musicais.


A Essência do Candomblé

Terra, fogo, água e ar

O Candomblé se baseia na natureza. Todas as divindades tem uma ligação com a natureza e os elementos que a compõem (terra, fogo, água e ar). Logo, a nossa religião é uma grande defensora da natureza.

"Kò sí ewé, kò sí Òrìṣà!" ("Não há folha, não há Orixá!")

Grande inverdade dizem os que afirmam que os candomblecistas são destruidores da natureza e realizadores de rituais de sacrífio de animais, os fazendo sofrerem e depois largando seus corpos na natureza. O animais sacrificados no Candomblé tem partes do seu corpo oferecidas aos Orixás e o restante é utilizado para alimentar os integrantes da "Roça" e a comunidade. O respeito para com a os animais é fundamental, sendo que os mesmos são louvados, acariciados e muito bem tratados.

Atabaques

Nos rituais do Candomblé, os atabaques (ìlù) e o agogo (agogo) tem suma importância. Os atabaques são tocados somente por homens denominados Ogãs (Ọ̀gálù, Alágbè ou Ọ̀gá Nílù) e estes não entram em transe (não rodam Orixá). O Rum predomina sobre os outros, sendo que somente quem toca este pode "repicar" e fazer arranjos. São tocados com as mãos ou varetas denominadas ọ̀pá (Nação Kétu) e aguidavi (Nação Jeje). Os atabaques possuem nomes que podem até mesmo levar parte do nome de quem os toca. Na maioria das roças eles possuem os nomes de Rum (O maior), Rumpi (o médio) e Lê (o menor) ( Nação Angola). O Agogo é quem comanda o ritmo dos atabaques. Os atabaques e os cânticos são os responsáveis pela "convocação" das Divindades.

Os escravos vindos da África para o Brasi usavam grandes cabaças cortadas no topo (por onde saia o som) no lugar dos atabaques e ou tambores nos cultos para não atrair os senhores. As grandes cabaças,quando tocadas, produzem um som quase que idêntico ao dos atabaques. Assim surgiu o nome do cargo de Alágbè (Alá + agbé - aquele que tem o poder sobre algo + cabaça cortada no topo = Aquele que tem o poder de tirar som da cabaça).

O ato de bater cabeça e palmas

O respeito e o culto aos ancestrais, bem como o respeito aos sacerdotes, sacerdotisas, os mais velhos e os possuidores de cargo é uma característica marcante nos Candomblé.

A tradição oral é uma característica do Povo do Santo,como são chamados os praticantes do Candomblé. As histórias, os cultos, os conhecimentos e toda a nossa cultura é passada de geração em geração, dos mais velhos aos mais novos. Com o advento da escrita, a preocupação e o empenho de pessoas comprometidas com a religião e a informática, esses conhecimentos foram transcritos para livros e mídias para uma melhor absorsão e melhor aprendizado. Tudo evolui e precisamos nos adaptar a essa evolução, tudo no seu grau de grandeza e limitação, ou seja, trascrever parte desses ensinamentos e da cultura nos ajuda a não deixar cair no esquecimento ou ocorrerem distorções dos mesmos. Um grande exemplo disso é a existência do número de Orixás que caíram no esquecimento e seus cultos eliminados dos Candomblé.