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- Resgate de valores - Escrito por Daniel Òṣàlúfọ́n - Bàbálórìṣà Ilé Àṣẹ Alá Déí - 03/01/2018

- O Natal e o Candomblé - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

- Ano Novo para os Yorùbás - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

- Dias da semana reservados aos Orixás - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

- Orixá Regente - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018


Resgate de valores - Escrito por Daniel Òṣàlúfọ́n - Bàbálórìṣà da Ilé Àṣẹ Alá Déí - 03/01/2018

Nem todos podem frequentar um curso superior. Mas todos podem ter respeito, alta escala de valores e as qualidades de espírito que são a verdadeira riqueza de qualquer pessoa.

Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas em algumas palavras: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.

Dizer sim quando queremos dizer não é dar mais valor aos outros do que a si, é não colocar seus limites, e isso é não se respeitar. É o mesmo que dizer que o que eu sinto não vale nada, que os ouros podem passar por cima de mim à vontade. E eles passam, sem dó nem piedade.

Devemos aprender a dizer não. Quando não queremos alguma coisa, simplesmente diga não, sem raiva nem emoção. Um não é só uma negativa. Indica o nosso limite.

Um direito que temos de decidir o que desejamos ou não fazer. A isso se dá o nome de liberdade. Quando nos colocamos com sinceridade, dizendo o que sentimos, somos respeitados. Grandes homens não vendem seus valores. Morrem por eles.

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?

Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

Ética: Valores que definem o que:

• Quero
• Posso
• Devo

Pessoas altamente proativas assumem a responsabilidade; elas não culpam as circunstâncias ou as condições por seu comportamento. Suas atitudes são produto de opções conscientes, baseadas em valores, mais do que produto das condições baseadas em emoções.Se nossa vida é resultado de condicionamentos e condições é porque, conscientemente ou por inércia, decidimos dar a essas coisas o poder de nos controlar.

A opinião dos outros a nosso respeito só pode ter valor na medida em que determina ou pode ocasionalmente determinar a sua ação para conosco. As pessoas que possuem e praticam os valores e princípios de vida, como por exemplo, a justiça, a verdade, a integridade, e tantos outros, podem ser comparadas com o ouro, quando posto ao fogo, é refinado, purificado e se torna ainda mais valioso, oferecendo um brilho ainda mais encantador aos seus observadores.

Viva de forma que ao falarem em sinceridade, bons valores, postura, respeito, elegância, generosidade, gentileza, bondade, caráter, integridade, as pessoas simplesmente lembrem de VOCÊ!

Hoje fiquei a refletir em como certos valores estão mudados em nossa sociedade, em como já não mais se educa para o respeito. É o filho que não respeita e não deve obediência a seus pais, casais que não respeita o compromisso existente entre eles, funcionários que não cumprem suas obrigações, empregadores que não fazem o mesmo e etc.

Respeito sempre foi e sempre será o centro da moralidade. É muito complexo, pois, impulsiona todas as ações de relações entre os homens, todas "respeitosas", mas em dimensões muito diferentes.

É comum associar respeito à ideia de submissão. Isso acontece quando se diz que alguma pessoa obedece incondicionalmente à outra. Não esqueçamos que tal submissão pode vir do medo. Respeita-se o mais forte, o mais poderoso, não porque mereça, mas simplesmente porque detêm o poder.

Quem já não ouviu pelo menos uma das seguintes expressões:
"Sabe com quem está falando?"
"Quem você pensa que é?"
"Eu sou mais que você, portanto, respeita-me."

É claro que muitas vezes a dignidade humana é ferida porque não há reciprocidade. O ideal seria a igualdade. Se devo respeitá-lo, você também deve respeitar-me. Trata-se de respeito mútuo. Isso faz toda diferença!

A nossa sociedade ensina que "não devemos levar desaforo para casa", ou ainda, "bateu levou". E é assim que muitas pessoas agem. Há aqueles que esperam o momento certo para se vingar. Levam anos curtindo raiva, ódio e ressentimentos, gastando tempo e energia, buscando meios de destruir a vida de alguém. Que desperdício! Há ainda aqueles que se destacam por divulgar a maldade. E, em tempos atuais isso se torna mais fácil, por intermédio das redes sociais. É de livre acesso esmiuçar a imagem alheia e fazer uso desta imagem para algo impróprio.

Existem muitas inverdades e são tão bem colocadas, tão bem disfarçadas e por ser tão repetidas descaracterizam a verdade.

Devemos agir corretamente, sem ódio, sem vingança. Pagar o mal com o mal é desperdiçar o valioso tempo com "coisinhas" sem importância. A maldade corrói a alma do maldoso. Quem comete injustiça e age com maldade já sofre pela ausência da bondade. Agem desta forma talvez por não ter sido educado adequadamente para o respeito.

Respeito! Como isso é importante. Respeitar o espaço do outro. Respeitar as ideias e a história de cada pessoa. Compreender que Deus nos fez único, e por isso somos completamente diferentes uns dos outros. Precisamos nos reeducar no respeito. Com palavras, quando necessário, e com exemplos, isso sempre! Pais precisam dar bons exemplos a seus filhos, caso contrário vão ensinando antivalores aos filhos (pais fofoqueiros ensinam a criança fazer fofoca, pais mentirosos ensinam a criança a mentir). Como um bom exemplo de porta-voz de um clã religioso, não enche sua cara de bebida alcoólica em um bar ou boteco. Fica feio e nada fica escondido. Até o cachorro vê. Até um padre que se embriaga na sacristia as escondidas! Mais ninguém tomou fato.

Não se faz com que a pessoa respeite, maltratando-a. Não se ensina um filho com espancamentos e agressividade. Não se educa com berros e palavrões. Não se ama com agressões físicas e morais. A autoridade com simplicidade e respeito ganha muito mais significado.

"REFLITAM COM SABEDORIA"

Muito Axé a todos!!

COMENTÁRIOS:

De: Kọ́sùùlé Ayrà

Data: 04/01/2018

Excelente texto Bàbá. Como o senhor colocou no final, "REFLITAM COM SABEDORIA!", pois se colocarmos em prática as suas palavras, com certeza viveremos em melhor harmonia.

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O Natal e o Candomblé - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

Neste Natal recebi e ouvi várias mensagens e vídeos de Bàbálorixás falando a respeito do Natal e da comemoração do mesmo por parte dos Candomblecistas. Não tenho nada contra os nossos irmãos comemorarem esta data 100% Cristã, porém, não posso falar em nome do Candomblé com relação a esse tema, mas posso falar em meu nome, fato esse que não ocorreu com determinadas pessoas que em suas falas usavam "... para o candomblé é assim ou assado....". Principalmente se tratando de falar que Oxalá é o mesmo e a mesma pessoa que Jeus Cristo, o que é totalmente falso. Oxalá é um, Jesus Cristo é outro. Oxalá é um Orixá Africano e Jesus Cristo um Santo da Igreja Católica. O Natal é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, porém o "homem" transformou essa data em puro comércio.

Outro Bàbálorixá disse que em sua casa todos dançam na noite de Natal para louvar a Jesus Cristo. Será que um dia os Católicos dançarão em sua igreja para louvar a um Orixá? Será que um dia os Católicos deixarão de proibir suas crianças de comerem o caruru e os doces da Festa de Cosme e Damião, que mesmo sendo Santos Católicos são, digamos assim, rejeitados pela Igreja Católica pela forte ligação com o candomblé? Infelizmente, ao meu mode de ver, ainda estamos "acorrentados" ao sincretismo religioso e a Igreja Católica.

Uma curuiosidade: A feijoada, um prato típico brasileiro, surgiu devido as tripas, miúdos e os restos dos porcos que seriam assados para a ceia de Natal dos donos das fazendas eram dados aos escravos na senzala. Os escravos com sua criatividade cozinhavam estes restos com o feijão, nascendo assim a feijoada.

A palavra " Natal" para os Yorùbás não existia. Foi "estraída" do Inglês "Christmas", de onde surgiu a palavra Kérésìmesì.

Com o passar dos anos o Natal perdeu o sentido de ser uma data Cristã para se tranformar em uma data marcada pelo encontro dos familiares.

Repetindo, nada contra nenhuma outra religião e suas comemorações, muito pelo contrário, tenho profundo respeito pelas mesmas, e da mesma forma não sou contra nossos irmãos comemorarem o Natal assim como não sou contra os mesmos frequentarem vez ou outra uma missa católica, um culto evangélico, uma sessão kardecista e etc, desde que não escondam a sua religião. Então, quando alguém nos deseja um Feliz Natal, nada nos impede de agradecer e também desejar o mesmo. Quem sabe um dia as religiões não se respeitem para que tenhamos um mundo melhor?

Esse é o meu pensamento, o pensamento de um Candomblecista, e não o pensamento do Candomblé.

Dùn kérésìmesì gbogbo! (Feliz Natal a todos!)

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Ano Novo para os Yorùbás - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

Costumamos comemorar a passagem do ano no dia 31/12. Porém, para os Yorùbás o Ano Novo nasce no dia 03 de junho. Levando-se em conta, cientificamente comprovado, que o povo Yorùbá surgiu há mais de 8.000 anos e juntamente com eles a Religião Tradicional Yorùbá, no dia 03 de junho de 2018 os Yorùbás comemoram o ano de 10.060. O dia 03 de junho foi "escolhido" exatamente devido ao fato do início da colheira do inhame.

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Dias da semana reservados aos Orixás - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

Para os Candomblecistas cada dia da semana é reservado a um ou mais Orixás. Essa adaptação deu-se devido a adaptação do calendário Yorùbá para o Calendário Gregoriano, que teve a sua origem na Europa no século XV, promulgado pelo Papa Gregório XIII 1 (1502-1585) em 24 de Fevereiro do ano 1582 e adotado pela maioria dos países. Este calendário, como todos sabem, consta de semanas de 7 dias. Cada Orixá tem um dia da semana. Porém, o calendário Yorùbá era totalmente diferente. Era constiruido de 4 dia na semana.

O primeiro dia dedicado a Oxalá, que dividia o seu dia com Ómólu, Ìyámi, e o Egungun

O segundo dia dedicado a Orunmila, que dividia o seu dia com Exú e Óxun

O terceiro dia dedicado a Ogum, que o dividia o seu dia com Óxóssi

O quarto dia dedicado a Xangô, que dividia o seu dia com Óyá

Algumas fontes revelam que o Calendário Yorùbá tinha na realidade 5 dias na semana. Os acima citados e o quinto dia, no qual não se fazia nada, somente se descansava.

Com a adaptação do Calendário Yorùbá ao Calendário Gregoriano, os Yorùbás adotaram a seguinte prática:

Segunda Feira – É conhecido como o "dia do dinheiro" por acreditar-se que foi o dia em que o dinheiro entrou com os Orixás na terra. Usam esse dia para iniciar negócios e discutir programas econômicos e sociais.

Terça Feira - É conhecido como o "dia da vitória". Este é o dia em que  todas as forças do mal estão dominadas. Usam esse dia para iniciar qualquer coisa que os leveasse a uma melhor qualidade de vida.

Quarta Feira - É conhecido como o "dia da confusão". É o dia que o problema entrou no mundo.

Quinta Feira - É o dia em que os nomes dos dias chegaram. Acreditam que nesse dia os Antepassados visitam a família.

Sexta Feira - É conhecido como o "dia do adiamento". Acreditam que tudo o que as pessoas fazem neste dia tem forte tendência ao fracasso e por isso deve ser adiado, principalmente com relação a negócios.

Sábado - Acreditam ter a mesma descrição da Sexta Feira com uma agravante: não enterram uma pessoa falecida neste dia.

Domingo - É conhecido como o "dia do descanso". Se possível, nada fazem neste dia.

Se analisarmos as descrições acima, reparamos que alguns dias da semana coincide com os dias em que reservamos para determinados Orixás. Reparem que o primeiro dia da semana para os Yorùbás é a Segunda Feira (Dia do Dinheiro), dia em que reservamos a Exú. A Terça Feira (Dia da Vitória) a Ogun. A Quarta Feira (dia da confusão) a Xangô.

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Orixá regente para o ano - Escrito por Kọ́sùùlé Ayrà - Ojú Ọba Ilé Àṣẹ Alá Déí - 05/01/2018

Basta apximar-se o final do ano e logo vem a pergunta: "Qual ou quais Orixás vão reger esse ano?".

Cada Casa de Candomblé é uma comunidade, como se fosse uma aldeia na África, portanto, cada casa tem o seu ou os seus Orixás regentes para o ano. Nenhum Bàbálorixá, Ìyálorixá ou Bàbálawo tem o poder de falar quem será o Orixá regente de uma cidade, de um estado, de um país e etc. Ele ou ela poderá, repito, anunciar o Orixá que regerá a sua Casa e ou a sua Comunidade.

Se repararmos nas mídias e na internet vários Bàbálorixá, Ìyálorixá ou Bàbálawo são consultados sobre o assunto e poucos dão essa explicação. Imagine quantos Orixás regentes para o ano teríamos no Brasil se admitíssemos as respostas de todos os sacerdotes? Seria um número bem alto.

Outra prática errada é o que maioria faz. Exemplos: se o primeiro dia do ano é uma segunda feira, quem rege é Exú. Se é terça feira, quem rege é Ogun, e assim por diante.

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